segunda-feira, 26 de agosto de 2013

BRIGA DE AUTOMÁTICOS

BRIGA DE AUTOMÁTICOS: CHEVROLET PRISMA X HYUNDAI HB20S

Sedãs se enfrentam pra mostrar quem entrega mais conforto ao motorista que quer dar adeus à embreagem

por TEREZA CONSIGLIO| RAFAEL MUNHOZ (FOTOS)


Há alguns anos, um jornalista automotivo assumir a preferência por um automóvel com câmbio automático soaria quase como uma heresia. Hoje, nem tanto. Os tempos mudaram, e o trânsito de grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro também. Ao ouvir o desabafo do colega, que todos os dias gasta horas no trajeto entre a região do ABC e a sede da Editora Globo, no bairro do Jaguaré, dá para entender por que até mesmo os mais “puristas” se renderam ao comodismo das transmissões automáticas. Essas, por sua vez, antes restritas às marcas de luxo e ao segmento premium, conseguiram migrar para faixas de preços mais acessíveis. Os dois novos modelos a entrar para esse clube são Onix e Prisma, da GM, que acabam de ganhar câmbio automático nas versões com motor 1.4.
A Chevrolet aproveitou o bom momento vivido pela dupla para estrear no país a segunda geração da transmissão GF6 de seis marchas – versão atualizada da caixa que equipa o Cruze. Trata-se de uma tecnologia inédita no segmento dos compactos nacionais, acostumados aos câmbios automatizados e transmissões obsoletas de quatro marchas. Nesse time ainda jogam marcas como Renault, Citroën, Peugeot, Kia e também a Hyundai. A montadora coreana, inclusive, equipou tanto o HB20 quanto sua versão sedã com esse tipo de caixa. Diante das inovações agregadas aos compactos da Chevrolet, será que os coreanos ainda são páreo duro?

Como quem quer conforto também faz questão de espaço, escalamos para o embate as versões topo de linha dos dois sedãs. Tanto Prisma 1.4 LTZ quanto HB20S Premium vêm recheados de equipamentos para tornar as horas no congestionamento menos penosas. Por R$ 50.490, o Chevrolet traz ABS, airbag duplo, direção hidráulica, ar-condicionado, computador de bordo, faróis de neblina, sensor de estacionamento e kit multimídia MyLink, com tela sensível ao toque de oito polegadas. O modelo automático também ganhou controle de cruzeiro com comandos na direção. Do outro lado, ao preço de R$ 52.795, o Hyundai é oferecido com pacote de equipamentos equivalente, mais o sistema Isofix para cadeirinhas, rodas de liga leve aro 15 e volante multifuncional revestido em couro. Há também kit de som, com CD player, MP3, entrada auxiliar e Bluetooth.
Anda e para
Chevrolet Prisma (Foto: Rafael Munhoz)
Às 16h20, em plena quinta-feira, o trânsito na avenida Paulista começa a complicar, mas ainda há espaço para dar umas esticadas antes de parar no próximo semáforo. Com o já conhecido 1.4 8V de 106 cv, o Prisma mantém o rodar macio, repetindo o comportamento da versão mecânica. O torque pequeno em baixas rotações exige pisadas mais fortes nas saídas. As trocas de marcha são realizadas a 2.000 rpm e, apesar do bom escalonamento, as mudanças de velocidades são sentidas com um pequeno solavanco, principalmente na passagem da primeira para segunda. Mas os ocupantes não chegam a sentí-las com a mesma intensidade de um automatizado (como o próprio Easytronic do Agile). Se quiser, o motorista ainda tem a opção de assumir as trocas. Na lateral da alavanca do câmbio há os botões “mais” e “menos”, mas é bom dizer que o acesso não é nada intuitivo, o que desencoraja o uso. Aletas atrás do volante seriam muito mais práticas.
Chevrolet Prisma (Foto: Rafael Munhoz)
Enquanto o Prisma ganha velocidade de forma gradual, sem afobação, o HB20S responde de maneira vigorosa ao primeiro toque no acelerador. Há uma grande diferença em potência e torque. O 1.6 16V de 128 cv consegue ser mais disposto, mesmo associado ao câmbio de apenas quatro marchas. Isso ajuda na hora de mudar de faixas e escapar das vias mais congestionadas. A rapidez nas respostas e a suavidade nas mudanças de marchas surpreendem.
Hyundai HB20S automático (Foto: Rafael Munhoz)
Mesmo com duas marchas a menos em relação ao Prisma, estar ao volante do HB20S automático é tão empolgante quanto dirigir a versão manual. Não que seja sem graça guiar o Prisma, que possui outros atributos para cativar o consumidor. A pegada do volante, por exemplo, é bastante convidativa, e a direção, leve e precisa. Outro ponto: se você ficar preso no trânsito por horas e quiser afastar o tédio, o sistema multimídia MyLink com certeza fará falta ao Hyundai. As funções da “telinha” sensível ao toque são bastante intuitivas, e a qualidade do áudio e do Bluetooth são muito superiores no Prisma. O acabamento do GM também é mais refinado, estofamento e mesmo o plástico do painel são mais agradáveis ao tato.
Com fama de gastões, os dois automáticos testados aqui podem fugir dessa reputação. Em ciclo urbano, o Prisma fez média de 6,5 km/l de etanol. Mas é na rodovia que a sexta marcha se faz bem-vinda, ajudando o motor a trabalhar em baixas rotações. A 120 km/h, o contagiros marca 3.000 rpm, regime no qual o computador de bordo aponta média de 11,8 km/l. Mas o HB não fica atrás no quesito consumo. Mesmo com câmbio ultrapassado, o sedã consegue superar o rendimento do rival na cidade, com média de 7,5 km/l. Na estrada, o rendimento ficou um pouco abaixo do concorrente, com 11,5 km/l.
Hyundai HB20S automático (Foto: Rafael Munhoz)

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